Há muitos anos um dos programas top no campo da edição de áudio em Windows (e uma referência em termos absolutos), o Sound Forge vinha perdendo terreno para o seu principal concorrente nesta plataforma, o Wavelab, da Steinberg. Com o lançamento desta versão 9, uma ferramenta de produção e masterização completa, a Sony espera recuperar parte do espaço perdido.Faz tempo que analisamos o Sound Forge, o programa estava na versão 7. Na ocasião a Sony havia adquirido pouco antes a divisão de software da Sonic Foundry, tendo nascido assim a Sony Digital Media Software (atual Sony Creative Software). A versão 8, lançada um ano mais tarde, mudou pouco, em termos de aspecto e funcionalidades. Podemos resumir as melhorias ao suporte direto de VST e ASIO, e o acréscimo de alguns bônus, como o CD Architect que antes era vendido separadamente.

Esta versão 9 também não se distancia do passado (exceto uma, que julgamos ser importante, e que nos desagradou, como veremos à frente), mas as inclusões em termos de funcionalidades foram bem mais importantes. Programas como o Sound Forge, o Wavelab ou o Peak (este em Macintosh)justificam-se pela necessidade de finalizar projetos que nascem e crescem como um conjunto de pistas de áudio (ou MIDI e áudio) e que depois dão origem a arquivos finais em estéreo ou em formatos surround 5.1 ou 7.1. Estes arquivos requerem, normalmente, um trabalho de finalização, que consiste, por exemplo, em calibrá-los para que fiquem homogêneos e nivelados em termos de volumes relativos, em termos de inícios e finais, transições, etc. Pode também ser necessário dar uns retoques em termos de equalização, compressão, reverberação ambiente, etc. Este trabalho é o que se chama masterização, ou seja preparar o arquivo “master” que servirá para editar o CD (e que pode depois seguir para a replicação). Esta etapa, em produções de maior orçamento, estará a cargo de técnicos ou engenheiros de áudio especializados, e completamente equipados. Mas se não tivermos orçamento para isso, ou estivermos preparando projetos ou arquivos para mandar para produtoras de DVDs, de publicidade ou de jogos, então teremos mesmo de recorrer a software deste tipo, cujas características de áudio com suporte 24-bit até 192kHz não nos oferecem dúvidas quanto às qualidades profissionais dos resultados.
Agora, caberá aqui mencionar um outro programa que também suporta edição do áudio multicanal bem como edição estéreo, e vem com um leque de funcionalidades excelente – o Audition, da Adobe. No entanto, o Audition tem se posicionado como um programa de edição e gravação áudio multipista, na linha do Pro Tools e do Samplitude, e menos na edição e masterização de áudio, por isso temos alguma dificuldade em considerá-lo nesta categoria (e se o fizéssemos teríamos também de incluir, por várias razões e ainda com mais justificação, o próprio Samplitude).
Saltamos a versão 8 do Sound Forge, já que esta pouco apresentou em relação à anterior. Como dizíamos, porque apenas acrescentaram o suporte de VST e ASIO e o CD Architect. Estas adições, embora importantes, nada acrescentavam ao cerne de funcionalidades do programa, muito embora o suporte da norma ASIO e, sobretudo, dos plug-ins VST, viesse abrir todo um universo de possibilidades. Mas havia coisas que continuavam a faltar no Sound Forge, e que começavam a ser cada vez mais importantes no campo em que este se posicionava (e posiciona) como, por exemplo, o suporte de formatos surround. Para isso, era necessário que o Sound Forge deixasse de ficar amarrado aos arquivos estéreo, como a Steinberg já havia feito com o Wavelab.
O que há de novoChegando a versão 9, logo questionamos: O que temos como novidade em relação à versão anterior? A resposta é simples: nem mais nem menos do que o suporte de arquivos áudio multicanal, mais precisamente até oito canais. Complementados com o controle individual de volume de cada canal, isto permite ao programa lidar com todo o tipo de arquivos surround até 7.1, ou seja, basicamente todos os padrões atuais da indústria. Obviamente que, suportando surround, o Sound Forge teria de incluir um formato de exportação deste tipo. A escolha recaiu naquele que será, provavelmente o padrão da indústria, o Dolby Digital AC-3. Além deste novo formato, há ainda vários outros que foram adicionados, como o formato de MXF, para exportação do projeto para editores de imagem, o formato de compressão Sony ATRAC (do famoso MiniDisc) e ainda o MPEG-4 AAC (iTunes/iPod).
Mais benefíciosOutro dos campos em que a Sound Forge detém larga experiência é no campo da redução de ruído e restauro. Quando o seu plug-in Noise Reduction foi lançado, praticamente não havia nada no mercado, sobretudo no nível de preços a que este acessório foi lançado. Atualmente, há diversas soluções, desde a mais barata e cômoda que é o Sound Soap 2 da BIAS, passando pelo Sound Soap Pro, da mesma BIAS, a suíte da Waves e a recentemente lançada suíte da Wave Arts. Obviamente que o mercado começa a ficar bem servido de programas de restauro e redução de ruído. Por isso, seria difícil manter o Noise Reduction a venda. Com muitos avisos, e certamente para grande satisfação dos utilizadores, a Sony decidiu incluí-lo gratuitamente no pacote. Talvez não seja, atualmente, a melhor suíte deste tipo, mas é seguramente ainda muito boa, e para sua inclusão um grande valor é acrescentado ao pacote.
Outro grande benefício deste pacote tem origem no exterior, mais propriamente na iZotope. Já tivemos oportunidade de analisar o Ozone, o plug-in de masterização da iZotope, que inclui equalizador, compressor/limitador, reverberação e finalizador, entre outros, e dissemos o quanto gostamos dele e o quão útil nos parecia o Ozone para a masterização e finalização de áudio. Pois bem – a Sony inclui um suite de plug-ins com o selo da iZotope, que vem designada genericamente como Mastering Effects Bundle, e inclui o Mastering EQ, um equalizador paramétrico de 4 bandas mais atenuador de graves e agudos, o Mastering Limiter, o Mastering Reverb e o Mastering Multiband Compressor, um compressor multibanda de quatro bandas. A iZotope manteve mesmo o aspecto gráfico do Ozone (gráficos verde sobre fundo negro), para que não restassem dúvidas quanto à proveniência.
Obviamente que, com esta qualidade, temos de sublinhar este benefício, e classificá-lo como muitíssimo importante, e que só por si justifica o preço da atualização (pagamos US$ 99 on-line).
Pensamos que, com todas as adições de formatos e com o suporte de áudio multicanal, o Sound Forge merece bem o sobrenome “Digital Audio Production Suite” que a Sony acrescentou a esta versão.
Mas esta edição inclui outras novidades em relação à anterior. Obviamente que o já mencionado suporte das normas ASIO e VST continua lá, embora, para dizer a verdade, não estejamos completamente satisfeitos com a forma como a Sony implementou o suporte VST, sobretudo no que toca aos plug-ins automatizáveis e ao multiprocessamento – mas já falaremos disso. O CD Architect continua incluso no pacote, e esta é uma soma que se saúda a todos os títulos. De fato, e embora seja possível, por exemplo, no Samplitude, montar um projeto de CD e gravá-lo diretamente, é difícil gerir as listas de nomes, PPQ, etc. No CD Architect, todos os pormenores da norma Red Book estão suportados e claramente distribuídos em janelas e listas de edição apropriadas.
Por outro lado, a maneira como as regiões e/ou arquivos são geridos é excelente, e torna a criação de CD uma autêntica brincadeira. A Sound Forge foi uma pioneira neste campo, ao lançar a primeira versão do CD Architect quando os gravadores de CD ainda chegavam ao mercado, e a Sony capitalizou toda essa experiência na atual versão 5.2 do CD Architect, a que vem inclusa.Uma importante novidade, para quem trabalha em masterização, é que o Sound Forge 9 passa a suportar a identificação de metadados com acesso ao serviço Gracenote MusicID Media Recognition, usado por todos os atuais leitores digitais, como o iTunes. Quando extraímos áudio de um CD, podemos obter a informação do título do álbum, canção, artista, etc. Mas o mais importante é que, com este serviço é possível também submeter a informação de todos os novos trabalhos diretamente à base de dados da Gracenote, o que vai sendo cada vez mais importante.
A versão noveO Sound Forge é, nesta nova versão, ainda mais abrangente do que já era, muito por força do acréscimo do suporte de arquivos e áudio multicanal. Para nossa surpresa, e um tanto ou quanto inexplicavelmente, uma das funcionalidades que mais usávamos no Sound Forge desapareceu nesta versão 9.
Estamos falando da janela Loop Tuner. Esta janela servia para ajustar em detalhes um loop criado em qualquer arquivo. Visualizamos a parte final do loop e a parte inicial, e consequentemente podíamos ajustar o ponto de loop de forma a que, quer o ponto de encontro, quer a forma de onda do início e do fim se justassem o melhor possível.Por vezes nem era necessário recorrer ao artifício do encadeamento de fusão para que o loop resultasse perfeito, mas quando o fazíamos podíamos restringir a quantidade de áudio que iria ser fundida ao mínimo, uma vez que nos havíamos assegurado previamente de que o loop estava perfeitamente ajustado. Esta janela apareceu pela primeira vez no Alchemy e no Sound Designer, e atualmente apenas dois programas tops a mantinham – o Peak, em Macintosh e o Sound Forge em Windows. Com a sua remoção nesta versão, resta-nos a janela de edição de loops em programas especializados como o A-Wave e o Extreme Sample Converter. Outra opção, que é a que justifica esta alteração, consiste em usar o Acid, sendo que existe um comando direto Acid Loop Creation. Para quem, como nós, usava intensivamente o Sound Forge para criar amostras de som para posterior utilização em samplers, este foi um rude golpe. Não teremos outro remédio senão manter o Sound Forge 8 até onde for possível.
Tirando este detalhe, o Sound Forge 9 vem extremamente bem equipado, como já era característica dos seus antecessores. A janela do programa tem no alto a tradicional barra de ferramentas. De origem, esta barra vem em formato bastante reduzido, mas é possível expandi-la para incluir praticamente todas as funcionalidades principais do programa.
A Sony segue neste aspecto as convenções do Windows. Quer isto dizer que temos, debaixo do menu View, um sub-menu chamado Toolbars. Veremos apenas ativado por padrão o Standard, mas temos à escolha mais uma série de painéis. Pessoalmente, selecionamos o Transport, Navigation, Regions/Playlist, Process, Effects, Tools e Acid Loop Creation. Com estes, temos ao dispor toda
a variedade de ferramentas do Sound Forge (embora possamos acessar a todas elas através dos menus ou de atalhos de teclado).
Depois, temos as diversas janelas de trabalho. A versão 9 tem uma nova janela de indicadores de volume, chamada Hardware Meters. Nesta janela, além dos indicadores de volume (VU e PPM configuráveis) temos agora um indicador mono/estéreo e um goniômetro de análise da difusão de fase. Esta janela possui ainda um comando de controle de volume dos diversos canais. A antiga janela de indicadores de volume mantém-se, também com o benefício do goniômetro e do indicador mono/estéreo, o que nos parece uma redundância. No rodapé, temos por hábito abrir as janelas Explorer (para selecionar pastas e arquivos), Region List, Playlist e Plug- In Manager. Claro que, para ter todas estas janelas abertas e ter ainda espaço para trabalhar, o jeito é um monitor grande ou então um par deles, mas isso vai sendo uma constante na maioria dos programas de edição de áudio, à medida que aumenta a sua complexidade.
Trabalhar com plug-insDesde a versão 8 que o Sound Forge passou a suportar plug-ins VST, em adição aos DirectX, que até aí era o único formato suportado. Na nossa análise da versão 7, assinalávamos esta funcionalidade, conjuntamente com a inclusão do CD Architect, como duas das principais necessidades do Sound Forge. Fomos proféticos (o que não era difícil, dado tratar-se de uma evolução lógica). No entanto, a forma como o Sound Forge lida com os plug-ins ainda não nos deixa completamente satisfeitos. Nas primeiras versões do Sound Forge, tínhamos de chamar os plug-ins um a um, e a única hipótese de testar os resultados antes de aplicarmos o efeito era usar o botão de Preview.
Este método tinha alguns inconvenientes, já que tínhamos de selecionar o treccho do áudio onde o processamento seria, presumivelmente, mais delicado, antes de testar o efeito, caso contrário ouviríamos sempre o início, o que nem sempre era o que mais interessava. Este método ainda se mantém, mas agora temos uma nova janela, chamada Plug-In Chainer, onde podemos abrir diversos plug-ins simultaneamente, controlar parâmetros, selecionar aqueles que queremos controlar em tempo real, automatizá-los, etc.
A janela é muito versátil, permitindo inclusive guardar configurações de processamento para chamar mais tarde. Foi o que fizemos com configurações específicas de masterização e de restauro de áudio. No entanto, quando adicionamos alguns plug-ins, o tempo de espera é enorme. O que nos pareceu foi que, em vez de inicializar os plug-ins ao abrir, o Sound Forge apenas o faz quando carregamos algum na janela Plug-In Chainer. Isto permite poupar tempo no lançamento do programa (se tivermos uma pasta de plug-ins com mais de uma centena, como começa a ser comum atualmente, basta comparar com o tempo que leva a abrir programas como o Cubase ou o Sonar). No entanto, esse tempo de espera acaba por ser multiplicado, ao sermos obrigados a inicializar um plug-in sempre que o carregamos. Uma situação para ser revista em futuras atualizações. O que é estranho é que esse tempo de espera não se verifica se abrirmos o plug-in no menu tradicional (de processamento individual diferido). Também não temos qualquer controle sobre o volume nesta janela, estando dependentes dos controles individuais de ganho de entrada e saída (quando se estes existirem). Neste aspecto, pensamos que o paradigma de “channel strip” (canal áudio com insersores) seguido pela Steinberg no seu Wavelab é muito mais prático. Por outro lado, tivemos alguns problemas com os “programas” de combinação de plug-ins que criamos. Por vezes, e de forma completamente inexplicável,
eles simplesmente “desapareciam”.
Aparentemente, a Sony usa um formato específico para armazenar estes programas, o qual é compatível com o seu Preset Manager, e permite que os usemos em outras aplicações (quando abrimos o CD Architect, as cadeias de plug-ins estavam lá).
No entanto, parece que é fácil corromperem-se ou simplesmente perderem-se (pelo menos foi o que aconteceu conosco). Quando pesquisamos por um programa específico, fomos descobri-lo numa pasta obscura no diretório do Sound Forge 8 (apesar de o termos criado com o 9). Conflito entre as duas versões? Não conseguimos apurar.
Plug-ins incluídosOs plug-ins incluídos são um dos pontos fortes do Sound Forge. Já falamos da suíte da iZotope. Já falamos também da suíte Noise Reduction, que passou a estar incluída nesta nova versão do Sound Forge. Esta suíte integra o Noise Reduction propriamente dito, Click and Crackle Removal, Clipped Peak Restoration e finalmente Audio Restoration. Curiosamente, as rotinas da Suíte Noise Reduction são acedidas a partir do menu Tools, e não a partir do menu Effects, que é onde estão todos os outros efeitos específicos do Sound Forge. O menu Tools, além do Noise Reduction, inclui algumas ferramentas especiais, como as de síntese, Crossfade Loop, Sampler (que é onde se estabelece a comunicação com essas relíquias do passado que são os samplers em hardware, para transferir amostras de e para eles), o Preset Manager (um utilitário que permite criar programas que são utilizáveis por qualquer aplicação da Sony, como o Acid, o Vegas, etc.) e o Batch Converter (auto-explicativo). Por fim, este menu inclui ainda o acesso a uma poderosa funcionalidade de scripting, que permite automatizar uma série de procedimentos (é uma espécie de Batch Converter, mas flexibilizado, para abranger qualquer tipo de tarefa).
A Sony incluiu já uma série de scriptings, mas nada impede que se criem outros. Ao lado deste menu temos dois outros importantes menus – o Effects e o Process. Os plug-ins que acompanham o Sound Forge aparecem no menu Effects. Os efeitos incluídos têm um pouco de tudo, desde compressores (uni-banda e multi-banda), equalizadores, moduladores, distorção, envolvente para o contorno do volume, modulação da altura, um excelente plug-in de reverberação de convolução (outro campo onde a Sonic Foundry foi pioneira) o Acoustic Mirror, que vem acompanhado de uma não menos excelente biblioteca de impulsos, e o Wave Hammer, um plug-in para finalização, que combina compressor e maximizador.
Capacidades multimídiaOutra funcionalidade importante que já faz parte do Sound Forge há várias versões é a capacidade do programa de lidar com vídeo. O Sound Forge consegue abrir arquivos nos principais formatos de vídeo para computador (basicamente, MOV e WMV), e separar a parte do áudio e a da imagem, afixando fotogramas de referência na pista vídeo (como é habitual nos programas que lidam com vídeo e áudio). Uma particularidade interessante no caso do Sound Forge, nesta versão, está no fato de o fotograma de referência ser animado, ou seja, ele mostra mesmo o vídeo, desde o início daquela parte até à parte em que entra o fotograma de referência seguinte. Não sabemos até que ponto será útil (temos, obviamente, uma janela de visualização do vídeo em que podemos seguir as imagens na sua totalidade), mas não deixa de ser uma particularidade interessante.
Obviamente, podemos processar a trilha sonora como faríamos com qualquer arquivo de áudio, adicionando, substituindo ou simplesmente trabalhando o áudio. O que também é óbvio é que, tendo sido incluídas capacidades de surround no Sound Forge 9, essas capacidades também se estenderam aos formatos vídeo. Não tivemos hipótese de testar as habilidade do Sound Forge, simplesmente porque não tínhamos disponível nenhum vídeo em formato multicanal, mas o manual do programa indica que este é capaz de trabalhar arquivos WMV (Windows Media Video) em formato multicanal. Curiosamente, e embora suporte todos os formatos QuickTime, incluindo MP4, não é referenciado esse formato como compatível, apesar de, nos arquivos MP4 que testamos (estéreo) o programa ter conseguido abrir os mesmos sem problemas.
De qualquer forma, testamos o Sound Forge com um vídeo espetacular do jogo “EVE Online”, e processamos o áudio deste mesmo filme. No final, gravamos o arquivo e tentamos abri-lo de novo no Windows Media Player. Funcionou perfeitamente.
ProcessamentoJá que falamos de processamento (entenda-se aqui por processamento as rotinas normais de processamento digital de sinal encontradas em programas deste tipo, e não os plug-ins), há que dizer que as capacidades de processamento do Sound Forge desde sempre foram abrangentes, e estão ao nível do que existe de melhor em termos de processamento de sinal áudio. Temos as habituais funcionalidades de corte, conversão de resolução (que pode ser tanto para mais, até aos 64-bit de vírgula flutuante, como para menos, até aos 8-bit, sempre com várias opções de dithering), uma novíssima opção de conversão de canais, que permite fazer a conversão de um formato surround em estéreo, re-amostragem, compressão/expansão de tempo, transposição (com alteração da duração ou não – utilizando algoritmos proprietários mas de excelente qualidade), vários tipos de fusão encadeada (que permitem, agora que trabalhamos em multicanal, a fusão de áudio de uns canais em outros, com várias possibilidades de transição), inserção de silêncio (útil antes da aplicação de efeitos de convolução), alteração de volume, normalização, uma rotina Smooth/Enhance que serve para manipular a intensidade apercebida do áudio sem que se altere necessariamente o volume, enfim, um nunca mais acabar de processamentos de sinal poderosos e flexíveis, a maioria dos quais presentes no Sound Forge há longa data, e que são uma das razões porque, pessoalmente, este programa foi sempre um dos nossos favoritos.
CD ArchitectAtualmente muitos programas de edição de áudio já incluem a possibilidade de gravar CD diretamente. O próprio Sound Forge 9 também inclui essa possibilidade. No entanto, nós somos dos que ainda preferem ter uma ferramenta especializada para isso. O CD Architect, atualmente na versão 5.2, descende de um dos primeiros programas que foram lançados no mercado exclusivamente destinados à criação de CD áudio e não suporta formatos DVD-Audio, mas afinal de contas quem se importa com isso? Hoje em dia, qualquer programa de gravação de CD/DVD (como o Nero ou o Toast) já vem com funcionalidades de criação de DVD áudio, mas há ainda algumas coisas que lhes faltam. O CD Architect se beneficia de uma grande integração com o Sound Forge, que lhe permite usar as regiões criadas por este para indexação de pistas, permite também fazer o intercâmbio de áudio entre os dois programas. O CD Architect suporta ainda todos os pormenores da norma Red Book, como subindexações,
CD Text, código ISRC, etc. Por fim, podemos usar os plug-ins e as cadeias de plug-ins criadas no Sound Forge no CD Architect, para processamento final dentro deste programa, se assim o desejarmos.
A forma como trabalhamos as pistas e os intervalos de silêncio entre elas é também típica de um programa de edição de áudio, o que torna todo o trabalho muito mais conveniente. Podemos reproduzir o áudio como se já estivesse num CD, para testar o resultado final (com indicador de volume, o que sempre ajuda, e se quisermos uma cadeia de plug-ins para Master que pode incluir um analisador como, por exemplo, o Inspector, para dar melhores indicações). Depois de se trabalhar um pouco com o CD Architect, qualquer outro software genérico de criação de CD nos irá parecer limitado e desprovido de funcionalidades. A sua inclusão no pacote do Sound Forge é, de fato, um grande valor agregado.
ConclusõesEsta versão 9 constitui um salto enorme para o Sound Forge, algo que nem a versão 7 nem a 8 foram. Consideramos mesmo que, desde a versão 6, este é o primeiro upgrade verdadeiramente imperdível. Certo que a versão 8 nos trouxe o suporte VST (que sempre poderíamos ter desde que quiséssemos usar um wrapper como o da Cakewalk). É pena que, logo agora, a Sony tenha decidido retirar a sua janela Loop Tuner. Fora isso e o fato de a janela Plug-In Chainer demorar tanto para carregar os plug-ins e consideraríamos esta nova versão do Sound Forge perfeita.
As rotinas de encadeamentos fundidos (crossfading) são simplesmente espetaculares, a nova suíte da iZotope é um extraordinário valor acrescentado (exceto para os felizardos que já possuem o Ozone), a adição do suporte surround abre novos horizontes aos sound-designers, aos que trabalham em masterização para DVD e aos que trabalham em sonorização de vídeo. E claro, temos ainda o Noise Reduction e o CD Architect. Continuamos a ter, naturalmente, uma série de ferramentas especializadas para a criação de loops Acid e até continuamos a ter o suporte para a transferência de e para samplers, o que não deixa de ser irônico, se entendermos que estes praticamente desapareceram, e ainda torna mais incompreensível a ausência da janela Loop Tuner.
O upgrade custa meros 99 dólares, o que, atualmente, se pode considerar barato para uma atualização, sobretudo uma deste calibre. O preço do programa também desceu, apesar das adições, pelo que não podemos deixar de considerar o Sound Forge 9 como a mais recomendável aquisição em termos de software de edição áudio para PC. Para os que não vierem do Sound Forge 8, podem sempre adquirir em conjunto o A-Wave e/ou o Extreme Sample Converter. O segundo é também um extraordinário conversor de bibliotecas de samples, pelo que complementa quase na perfeição o Sound Forge para quem, como nós, o usa, sobretudo para esta tarefa. Seja como for, seja para o que for, comprar o Sound Forge 9 é um dos raros casos de aposta garantida.
Requisitos Mínimos do Sistema* Microsoft® Windows® 2000 SP4, XP, ou Windows Vista™
* Processador 900 MHz
* 150 MB de espaço no HD para a instalação
* 256 MB RAM
* Placa de Som Compatível
* Drive de DVD-ROM (para a instalação)
* Drive de CD (para gravação de CDs)
* Microsoft DirectX® 9.0c ou posterior (incluso no DVD)
* Microsoft .NET Framework 2.0 (incluso no DVD)
* Internet Explorer 5.1 ou posterior (incluso no DVD)
Original por Fernando M. Rodrigues, via Produção Profissional da Editorial Bolina Brasil