André Simon
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« : 21/08/09, 13:10 » |
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A favor das raves e de uma mídia descenteThiago Calixto Foi num domingo, à tarde, num dia de sol e de chuva, que mais de 2.500 pessoas das mais diferentes classes/ nacionalidades/ tribos se encontraram em um só lugar. Nessa tarde, um palco enorme chamou a atenção de todos que passavam por Ipanema, e uma música que parecia entrar no corpo deixou muita gente inquieta. Não era festival de mpb, reggae, funk, samba, pagode, jazz ou música clássica. Era uma festa cujo estilo musical não agrada a muita gente que não entende nada sobre ele. Era uma festa que gera aversão em muitas pessoas preconceituosas e mal informadas. Enfim, gosto não se discute, não é verdade?
Mas o fato é que esse evento recebeu o olhar curioso de milhares de pessoas, que talvez ainda nem conhecessem do que se tratava a festa, ou daquelas veteranas, que não perdem nenhuma. Tinha gente de todas as idades, de todos os estilos. E posso apostar que a grande maioria desses olhares curiosos ficou encantada com a festa, nem que estivesse só de passagem.
Mesmo com toda a imagem negativa que é transmitida a respeito das “raves”, há muito mais prós do que contras nesses eventos, e se eu estiver mentindo, procure me convencer dos motivos que levam sempre muitos milhares de pessoas a freqüentarem essas festas. A primeira imagem a qual grande parte (conservadora, mal informada e preconceituosa, repito) da sociedade associa as raves é a de um lugar com jovens sem nada na cabeça, pulando durante 12 horas, ouvindo uma mesma musica repetitivamente.
A coisa não é bem por ai.
É óbvio que não podemos negar que existem coisas ilícitas na festa, mas jamais podemos generalizar dizendo que "na rave só tem isso ou aquilo". Isso é uma grande mentira. Seria o mesmo que estereotipar quem freqüenta micareta, baile funk, reggae, forró, pagode, ou show de rock. Na maioria das vezes, estas festas são para maiores de 18 anos, ou seja, pessoas teoricamente capazes de decidir o que é bom e o que é ruim para a própria vida. Isso depende do tamanho do juízo, da responsabilidade, da educação, e da consciência da pessoa (lembrando que ninguém aqui é a favor das drogas, só que as coisas devem ser vistas por outro ponto de observação).
Outra característica da rave é que, assim como a sociedade capitalista, é uma festa muito subjetiva, mas que, ao contrario da sociedade, consegue ser solidária ao mesmo tempo. Ninguém dança para fazer mal ao outro, machucar o outro, muito menos para aparecer. A pessoa simplesmente fecha os olhos, coloca os seus problemas no lado de fora do recinto, e dança até não poder mais.
Lá, ninguém tenta ser maior, melhor ou mais bonito que ninguém, pelo contrário, a beleza está na diferença, na tolerância com o estranho, na capacidade de dar a mão, levantar o outro chamando para dançar. Cada um por si, mas ninguém está sozinho.
Lá é o momento que você tem para esquecer da vida, do cotidiano, deixar a cabeça vazia, para a musica poder entrar - e ninguém precisa se drogar para sentir isso, basta ter a cabeça aberta. O nome disso é alegria. A felicidade de saber que todos ao seu redor estão felizes também é muito contagiante. A “música eletrônica” faz bem para o corpo e para a alma.
Briga, abusos, falta de respeito, nada disso... Não digo que não há, mas quase não acontece (e isso, os números da festa em Ipanema comprovaram a boa imagem que essa festa causou). As pessoas lá buscam uma coisa só que, por incrível que pareça, quem traz é o barulho ensurdecedor do trance: essa coisa é a paz.
Paz é uma palavra muito pregada em campanha dentro da rave. E tanta gente encontra essa paz, que volta na próxima. E chama os amigos. E leva os filhos. Não sei se os grandes da mídia têm noção do quanto essas noticias repercutem na vida da população. Instigam os filhos a mentirem, os pais a ficarem preocupados, estimulam o preconceito, e a pessoas que gostam de viver perigosamente a irem cada vez mais, e fazerem cada vez mais coisas que derem na telha, além da cara feia de toda a sociedade ao saber "puxa, logo você??? Uma menina tão certinha, indo nessas festas raves? Quanta decepção!!!"
Ha alguns anos atrás, faziam isso com o pobre do baile funk. As noticias cada vez mais freqüentes sobre prisões, drogas e mortes geraram na sociedade um quadro de que "baile funk só tem bandido", imagem que de repente saiu de moda, e foi desfeita pela própria mídia, colocando o assunto em novelas, fazendo documentários, artistas subindo morro e freqüentando os bailes, além de filmes, e diversas outras coisas aqui que eu poderia citar. Hoje em dia qualquer funkeiro é popstar.
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